A vista do Escritório



Facebook. Acho razoável concluir de que faço parte de um quadro crônico, que atinge 9 em cada 10 pessoas da minha timeline, e que já deve estar sendo diagnosticado como uma das grandes doenças do século XXI: a espetaculização do eu - ainda sem medicação sugerida. 

Entre os infectados só vale postar as melhores representações de si. E fica melhor. Dentro desse grande grupo há uma parcela​ de quase-profissionais, digo, que vive disso. Do tipo que todo dia mete foto na praia​, brinde em balada, e depois simplesmente brota em Nova Iorque​​! ​Enfim. Deve ser gostoso tirar oito férias por ano (ao menos é isso que precipitadamente resumo do que vejo). 

É só abrir o "face". Nunca mesclou-se tão bem a vida dos sonhos, o peso da existência, revolta política e entretenimento raso. Somos isso. Pathos e ethos. Fotos no sunset, share de um filme cult, apoio às minorias e depois a consagração do gatinho ​Cid¹  que, verdade seja dita, agarra pra caralho.

No final, me parece que todos trabalhamos muito mal nossa descrença e não aceitação da realidade. Por isso cuspimos tanto escapismo nas redes sociais. Quando não é isso, é ego ou ódio. Outra covardia. O ser humano em seu estado bruto. Naturalmente ácido.

Na verdade, acho razoável não concluir, mas constatar. O fim está próspero. As coisas não vão nada bem. Gotham continua infestada de sociopatas e Lázaro ainda não nos ajudou a entender coisa alguma. Até que este dia chegue, espero conseguir meu lugar nessa praia - ao lado do escritório de vocês -, usando várias hashtags. Mesmo que elas não tenham utilidade nenhuma no feice.

¹ https://www.youtube.com/watch?v=nmLoRTzWJgM