A Tartaruga e a Tampinha


     
            A Tampinha
Dividia minha primeira casa com uma garrafa quando minha peregrinação começou. Morávamos em uma geladeira de um bar qualquer, mas não ficamos lá por muito tempo. O dono do bar resolveu nos negociar por algumas moedas. No mesmo dia fomos separadas, eu e a garrafa. Ela ficou com aquele que nos tinha comprado. Já eu, fui jogada no chão. Alguns chutes daqui, outros dali e veio minha primeira chuva, e que chuva.  Lembro bem do torrencial formado no canto da calçada, forte o suficiente para me arrastar de um lado para outro, e sempre para corredeiras mais fortes.

repetição em sol menor, síncope em compasso ternário













hoje eu estou meio imprudente sobre como contar uma história: quero experimentar. principalmente por ser minha história, eu gostaria de ter uma narrativa clássica, mas todo mundo faz essa narrativa clássica. esse início, esse meio e esse fim sempre aparecem nos mesmos lugares. todo mundo sabe os pontos em que as histórias fazem suas viradas. é mais ou menos ver o sol nascer por anos seguidos e não ter dúvidas que no outro dia ele nasce de novo. mas hoje vou tentar fazer diferente! hoje meu sol vai nascer meia-noite e vai se pôr dois minutos depois. hoje eu vou acordar no nascer do sol e vou ficar acordado até ele sumir no ocidente e vou ver o pôr do sol da minha laje, do lado da minha cachorra. hoje vou…

"Não seria muito melhor se todos usassem saia nesse calor?"













6h o despertador tocou. mais cinco minutos... mais cinco minutos. Dez minutos depois o toque da soneca repetiu o alarde. Está mesmo na hora de acordar. Levanta, vai até a janela e vê o sol radiante! Tão bonito... Tão... Quente! Banho rápido, gelado, seca, volta pro quarto, abre o armário e ela está ali. A saia é mesmo a melhor a opção . Impossível usar a calça quando as 7h da manhã o termômetro de rua já marca mais que 30°, ultimamente a sensação térmica beira os 50° ao meio dia. Enfim, vai com ela. Toma o café e sai.

Ela, Janela [Parte II]

Como fui boicotado de cumprir minha promessa semanal de publicar o Ela, Janela, posto logo duas páginas da minha HQ e mais um textinho sobre a Copa aí embaixo pra ostentar conteúdo criativo nesse blog.

Não vai ter copa?


Recentemente os movimentos sociais anunciaram o grito de "Não vai ter Copa!" e se colocaram contra qualquer discurso que venha defender o mega-evento. Tal postura, comumente associada à extrema esquerda, falha em transmitir os motivos justificam esse movimento: Realmente vamos cancelar a copa? Somos contra o evento copa? Somos contra as consequências que a copa traz? Antes da copa tava tudo bem e agora estragou?
Desta forma fica evidenciada a falta de diálogo claro com a sociedade e também gera a falta de uma crítica que de fato responda os argumentos de quem é contra a copa. Ultimamente os textos que eu tenho lido a favor da copa nunca respondem de fato as questões levantadas por aqueles que são contra.

Vou especificar:

Repórter-editô


Uberaba, MG. Fevereiro de 2014. 

Anteontem fui a uma manifestação aqui na cidade, interior de Minas Gerais. Pelo facebook, setecentas pessoas confirmaram presença no protesto contra o aumento da tarifa do ônibus, que subiria para R$3,45 num aumento de 60 centavos. Peguei carona com uma equipe da TV Integração, rede local e afiliada da Globo, acompanhado pelo cinegrafista, um repórter da TV e outro do G1, que faria a cobertura para a plataforma online.

Chegando lá, o usual. Nem cem pessoas compareceram. O evento foi minguado, parou o trânsito por alguns minutos e o movimento mais violento do ato foi um tapa na lateral de um ônibus. Porém, lá estava eu, com câmera em punho, fotografando uma pequena manifestação, tentando contar uma história. Ao fim do dia, ofereceria as fotos para o repórter do G1, que possivelmente as usaria na matéria. Aqui entra, então, a deixa e o propósito deste post: vamos pensar comunicação.