Sobrevivemos. Depois das eleições mais violentas que já enfrentamos, acho seguro dizer que, sim, sobrevivemos. Mas digo em tom de preocupação. Afinal essa foi (apenas) a sétima edição de nossas eleições desde a abertura militar. Nossa sétima demonstração de democracia. E nesse quesito, como visto, somos uma criança recém saída das fraldas. Seja pela pirraça, pelo mimo ou teimosia, nós fizemos uma zona em casa. Mas crescer é uma constante de acertos e erros, que em conjunto somam aprendizados e solidificam nosso caráter. Sendo bem sincero, acredito que esse processo eleitoral foi uma baita experiência para nós - essa criança. E por isso este e meu próximo texto irão tratar sobre isso. De um ponto de vista bem pessoal vou tentar conversar sobre o que aprendi durante esses dias, esperando que daqui a dois anos eu discorde ou questione tudo que escrevi aqui. Pelo bem de meu próprio amadurecimento.
Durante as últimas semanas estive no facebook compartilhando informações, notícias e opiniões sobre quase tudo relacionado à política. Como cidadão, tentei ao máximo agir com coerência, honestidade e respeito com quem debati. Como estudante de jornalismo, tentei filtrar e compartilhar o que acreditava ser de interesse público - não confundir com interesse do público. Só que durante esse processo, me deparei com algo que nas eleições de 2012 (quando a internet abraçou o Freixo contra Eduardo Paes) acredito não ter acontecido: abrir o facebook - todos os dias - era mais importante do que folhear qualquer grande mídia impressa ou assistir ao telejornal mais importante do país. E não subestimemos a rede: fazer com que a grande mídia permanecesse dentro da insignificância no subgrupo "informação jornalística eleitoral" é quase que um beijo de língua na mãe liberdade (enquanto a regulação da mídia não chega, um beijinho na liberdade já tá lindo - é só lembrar dos seus quinze anos e pensar no quanto valeu a pena).
À esquerda do sofá, fiz minha militância - ou minha parte. Talvez a mais passiva, covarde e confortável (mas nem por isso menos importante) atuação: a ocupação das redes sociais. Uma militância impessoal e puramente intelectual, sim. Mas efetiva. Nela assumi o papel de filtro e disseminador de conteúdo. Só que, se pude disseminar, era porque alguém tinha compartilhado antes de mim. E assim, com a ajuda de cada pessoa que atuou na internet, aprendemos, comemos conteúdo crítico, debatemos, curtimos, compartilhamos e, por fim, geramos conteúdo. Com a ajuda de milhões de usuários, fizemos o organismo se retroalimentar e a roda girar contra a espiral do silêncio. Juntos brigamos, somando a mais b, contra gigantes da comunicação - e nos agigantamos.
Isso porque em 2014 a internet conseguiu unir sua velocidade e capacidade de produzir marketing viral a uma rede de usuários (não-militantes) engajados que colocaram a cara à tapa e conseguiram fazer frente à velha mídia. A Veja foi desmentida em minutos. Repito: minutos. Assim como todos os grandes jornais que a replicaram foram repudiados. Rapidamente, no trabalho, vi conhecidos envergonhados pela revista. Na internet, li uma menina dizendo que o Aécio tinha perdido o voto dela ali. Em resumo, pouco a pouco, vamos montando nas redes uma estrutura que timidamente diz: "Em tempos de internet, isso não funciona mais" - ou, pelo menos, só funciona fora dela.
Aliados a outros fatores, fizemos dessas as eleições mais comentadas e participativas dos últimos tempos (pra focar nas coisas boas, deixemos de lado as falsas informações compartilhadas e o ódio gratuito que tanto vimos por aí). Em qualquer esquina, bar ou fila, lá estava a continuação do que se falava na internet - ou já seria a internet uma extensão de cada esquina, bar ou fila? Aos militantes que ocuparam as fábricas, assembleias, plenárias e comícios, ficam os méritos de uma atuação fundamental, talvez responsável pelo resultado final da apuração. Mas se nas jornadas de junho uma nova frente de disputa e resistência tinha sido oficialmente aberta, nessas eleições ela se consolidou: a internet é mais uma (pequena) chave pra mudança. E quem tá no controle dela somos nós.

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