O Processo, O Coletivo e o Criativo.













Pois bem, amigos. Faço minha estreia em nossa Casa de Subúrbio não com uma criação, mas com um texto sobre a criação. Observo que o espaço foi designado para darmos início a uma produção de material em conjunto e achei pertinente filosofar um pouco antes de dar demonstrações de minha própria criatividade. Pretendo fazer certa análise de um problema que temos encontrado em nosso caminho, que é o de criar em conjunto. Para que o texto se desenvolva melhor, usarei como premissa os problemas do que vem antes de uma criação e as possibilidades de um processo criativo que parte do individual e avança para o coletivo.



É gritante a dificuldade que nós temos encontrado em iniciar projetos e mantê-los vivos. Todos nós temos colhido louros de forma individual, mas até o presente momento, ou melhor, até onde posso enxergar, nenhum conseguiu manter de pé um coletivo produtivo, e afirmo que tentativas não faltaram.

Começamos nossa problemática analisando o meio em que vivemos. Embora tenhamos a consciência de que o coletivo faz a força (uma frase extremamente clichê, mas não se desfaçam dos clichês, muitos deles sabem do que estão falando) ainda não conseguimos colocar tal mantra (pois é o que esse clichê virou) em prática. Diariamente vemos grupos, coletivos e empresas que demonstram a força através da união. Inclusive, parando para observar o cenário de política nacional atual, o nosso governo é um dos maiores exemplos de “união”, ou melhor descrevendo, coligação, que podemos citar. Ainda que tenhamos todos esses exemplos, observando com um maior cuidado grande parte desses grupos vencedores acabamos nos deparando com indivíduos que se agigantaram singularmente para depois construir alianças positivas aos seus interesses expansionistas. É claro que temos muitas exceções ao que cito aqui, o que complica, em parte, a discussão, mas, por enquanto, vamos nos ater ao simples.

Dando continuidade, uma vez observado que muitos dos grandes “empreendimentos coletivos” se deram a partir de um indivíduo o que fica no ar é o seguinte questionamento: é preciso que um de nós puxe o bonde para que o mesmo possa engrenar? Talvez sim, e ouso arriscar que tal bonde já teve seu primeiro empurrão no momento em que idealizamos esse blog, mas a ressalva fica por conta desse “talvez” inserido no começo desta oração. Talvez? Exatamente, não podemos afirmar que o espaço se deu através de uma força singular, mas de um conjunto de forças empurrando em uma mesma direção. A fagulha pode ter sido a cerveja, uma casa em Duque de Caxias ou mesmo a disposição para despencar da puta até o lugar em que se pariu o filho, e a mágica contida nesta fagulha é que pela primeira vez não conseguimos afirmar, com total certeza, quem foi o idealizador nato do projeto. Sendo assim, senhores, temos, talvez, pela primeira vez, um coletivo que nasceu com a ajuda de todos, e através dessa afirmação vos ilumino um pensamento: tivemos nossa primeira vitória na construção de um projeto conjunto.

Interessante citar um fato ocorrido hoje, dois dias depois de meu prazo estourar (eu deveria ter publicado esse texto na quarta-feira): um de nossos colaboradores (afinal, não somos fundadores nem donos, somos todos colaboradores de um mesmo espaço criativo) veio me cobrar o material. Afirmo-lhes que isso é indispensável e que, em meio a esse processo conjunto de criação, cobremos uns dos outros a devida responsabilidade e pontualidade com os prazos. Se conseguirmos fazer com que os outros colaboradores sempre cumpram metas e prazos, não teremos dificuldades em expandir nossa criatividade para além-mundo.

Tocando no viés do processo criativo, afirmo, com certa ousadia, que ainda somos o que o grande filósofo Away de Petrópolis diz de alguns indivíduos: somos “ovomaltinos, leite com pera” na construção da criatividade conjunta. Já não é problema encarar o branco, todos nós temos a capacidade de criar com certa assiduidade, mas ainda não temos o que chamo de “inteligência” para atribuir e distribuir tarefas, de convergir em projetos e estabelecer estratégias para a concretização de nossas empreitadas.

Finalizo toda essa parlamentação sem sentido com o que será o início de minha primeira série criativa dentro deste espaço. Me propus o exercício de criar uma música com uma singular cantora da música popular brasileira, Yohane Margarida, e dividir com vocês como o processo criativo ocorreu desde o seu limiar. Talvez isso nos ajude a entender com maior clareza como arquitetar planos em conjunto e fazê-los funcionar. Apenas para constar, antes de postar o avanço que tivemos na composição irei descrever como chegamos ao resultado obtido.

Música e Criação, Cap. I

Eu precisava escrever um texto de 2500 caracteres para uma avaliação de emprego e nada me surgia. Depois de uma hora sentado na frente do computador e nenhuma palavra digitada no Word resolvi abandonar o computador e retomar as origens: papel (reciclado) e caneta.
Sentei no chão e comecei a pontuar minhas experiências de vida e qualidades. Enquanto minhas anotações surgiam, Yohane brincava no viciante iPod. Depois de algumas palavras escritas no papel me deparei com uma que não se encaixava bem no contexto do trabalho: Músico. No seguinte momento percebi que o violão estava ao meu lado; era a deixa para tentar relaxar.
Peguei o violão e, aleatoriamente, toquei um acorde que me lembrou uma música do Zelda: Ocarina Of Time – ali ocorreu a faísca pro início da música. Cantarolei qualquer coisa no meu “inglês embromação de linha harmônica” que chamou a atenção de Yohane, e daí pra frente o papel e a caneta serviram para escrever a letra do que vem a seguir:

Olha só o que a gente fez
de manhã arrastando o tempo
Eu tenho história pra contar
Já é tarde e eu não percebi
Que de tarde o sol se foi bem devagar
Mas nada é assim
Explica pra mim
Para um sonho tão singular, eu vi você aqui

Eis o link com a música:
https://www.dropbox.com/s/5ix2pkk5g7j1z4w/Grava%C3%A7%C3%A3o%20%281%29.m4a

Daniel Sant'Anna

2 comentários:

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
douglas nascimento disse...

a música tá linda - ps: não deixa a Yohane ler: tá parecendo Cícero -, tá muito linda. mas acho que o cachorro é fundamental nela.