Anteontem fui a uma manifestação aqui na cidade, interior de Minas Gerais. Pelo facebook, setecentas pessoas confirmaram presença no protesto contra o aumento da tarifa do ônibus, que subiria para R$3,45 num aumento de 60 centavos. Peguei carona com uma equipe da TV Integração, rede local e afiliada da Globo, acompanhado pelo cinegrafista, um repórter da TV e outro do G1, que faria a cobertura para a plataforma online.
Chegando lá, o usual. Nem cem pessoas compareceram. O evento foi minguado, parou o trânsito por alguns minutos e o movimento mais violento do ato foi um tapa na lateral de um ônibus. Porém, lá estava eu, com câmera em punho, fotografando uma pequena manifestação, tentando contar uma história. Ao fim do dia, ofereceria as fotos para o repórter do G1, que possivelmente as usaria na matéria. Aqui entra, então, a deixa e o propósito deste post: vamos pensar comunicação.
Chegando lá, o usual. Nem cem pessoas compareceram. O evento foi minguado, parou o trânsito por alguns minutos e o movimento mais violento do ato foi um tapa na lateral de um ônibus. Porém, lá estava eu, com câmera em punho, fotografando uma pequena manifestação, tentando contar uma história. Ao fim do dia, ofereceria as fotos para o repórter do G1, que possivelmente as usaria na matéria. Aqui entra, então, a deixa e o propósito deste post: vamos pensar comunicação.
Trabalho feito. Fotos decupadas e entregues. Pausa para o comentário do repórter: "as fotos ficaram fodas". Na matéria do G1 foram usadas duas fotos, do próprio repórter, feitas por um celular. Na galeria de fotos do portal, seis foram usadas, e uma minha entrou - das mais toscas. É a segunda da galeria. Que, como vocês podem ver se clicarem no último hiperlink, não diz efetivamente quase nada.
Agora vamos entender o material que ele tinha em mãos e divagar sobre suas escolhas. Aqui vão oito das quase vinte imagens que o entreguei e poderiam ter sido publicadas, mas que ele preferiu não usar. Nas legendas comento brevemente sobre a função que cada uma poderia ter, se usada na matéria ou na galeria.
| Assim como a foto anterior, essa é uma boa imagem. Não apela com informação, mas é bem composta. Diz pouco, mas é clara. Seguido de uma boa legenda, funcionaria muito bem, imagino. |
| Manifestantes, um cartaz, um ônibus e o nome da cidade pra demarcar a localidade. Uma foto simples, de composição duvidosa, mas que contém muita informação. |
| Outro exemplo de como dar voz aos manifestantes. Dessa vez no meio de pessoas, de jovens, de senhores, homens e mulheres. Um "abre aspas" para todos. Uma mensagem direta para o leitor, sem mediação. |
Esmiuçando o que foi publicado e comparando com o material que o repórter e editor da página possuía, podemos fazer uma reflexão sobre a função de comunicar - textualmente - através de imagens. Na matéria publicada contém um registro. No material que ficou de fora, linguagem fotográfica. Um olhar com opinião sobre o evento. Um ato simples, mas que possuía mensagem e muito conteúdo jornalístico, veja só. Mas enquanto repórteres e editores não se enxergarem como formadores de opinião, seja com texto, seja com a voz das fontes ou com as imagens que lhe são oferecidas, a função crítica estará condenada. O leitor, esvaziado pelas mãos do próprio jornalista. Quando se faz comunicação, nada pode ser aleatório. Quando se trata a informação, tudo precisa passar por um criterioso filtro de seleção. Isso é fundamental e, principalmente, arbitrário.
por fim, uma informação categórica para concluir e amarrar este post:
No início da década de 60 o Jornal do Brasil sofreu sua reforma gráfica. A grande mudança foi a retirada dos fios de página, a introdução da Editoria de Fotografia e, consequentemente, o Editor de Fotografia. Simples. Revolucionário. Isso mudou toda a dinâmica da redação, das pautas à diagramação. O desenho gráfico das páginas do JB, que usava imagens de forma inteligente e com conteúdo crítico, segue sendo utilizado. Hoje, tanto Editor quanto a Editoria de Fotografia são leis para qualquer jornal.

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