"Não seria muito melhor se todos usassem saia nesse calor?"













6h o despertador tocou. mais cinco minutos... mais cinco minutos. Dez minutos depois o toque da soneca repetiu o alarde. Está mesmo na hora de acordar. Levanta, vai até a janela e vê o sol radiante! Tão bonito... Tão... Quente! Banho rápido, gelado, seca, volta pro quarto, abre o armário e ela está ali. A saia é mesmo a melhor a opção . Impossível usar a calça quando as 7h da manhã o termômetro de rua já marca mais que 30°, ultimamente a sensação térmica beira os 50° ao meio dia. Enfim, vai com ela. Toma o café e sai.


O trajeto não é o mais animador, o ônibus a essa hora está lotado, não só de pessoas mas de grosserias. Uma encoxada aqui, uma tentativa de foto por baixo da saia ali, etc etc etc. O calor, o suor, o mau cheiro só agravam o desespero. Na faculdade não melhora muito com os "gostosa", "puta" e assovios recebidos a cada cinco metros no corredor. No estágio uma chamada de atenção - "Sabe o que é, esse tipo de saia não é permitido aqui, hoje tudo bem por causa do calor e porque você não sabia, mas a partir de amanhã só o padrão, tipo aquela" - (só pra constar antes que condenem, a saia não era curta, nem justa). A noite mais do mesmo no ônibus. Salta do ônibus se agarra a bolsa, e vai andando de cabeça baixa e passo acelerado, afinal uma moça andando a essa hora numa rua escura, só pode estar procurando sarna para se coçar. Chega em casa toma um banho e coloca a saia no fundo do armário. Amanhã o dia será mais quente de calça.

6h o despertador tocou. mais cinco minutos... mais cinco minutos. Dez minutos depois o toque da soneca repetiu o alarde. Está mesmo na hora de acordar. Levanta, vai até a janela e vê o sol radiante! Tão bonito... Tão... Quente! Banho rápido, gelado, seca, volta pro quarto, abre o armário e ela está ali. A saia é mesmo a melhor a opção . Impossível usar a calça quando as 7h da manhã o termômetro de rua já marca mais que 30°, ultimamente a sensação térmica beira os 50° ao meio dia. Enfim, vai com ela. Toma o café e sai.

Os olhares estão longe da curiosidade, dá pra perceber que estão condenando. Julgam indiscriminadamente, sem júri, sem argumento, sem defesa. Isso sem nem ter saído do prédio. Na rua a mesma coisa, "Viado!" pra lá e pra cá, cabeças balançando como quem diz que o mundo está perdido. Na faculdade alguns gostaram da novidade, exceto aquele grupo que o puxou num canto e deram um soco ao lado da cabeça no armário atrás com a ameaça de "parar com essas viadagens" ou receberá uma "correção" pra aprender a se comportar em público. Considerou a possibilidade de ligar para o trabalho e inventar uma desculpa e voltar pra casa, mas foi visto por um conhecido de lá, não tinha escapatória. Ao chegar foi recebido com risadas, algumas contidas, exceto a gargalhada do seu superior que chamou a atenção de todo mundo que estava no andar. "Você e essas invencionices, HAHAHAHAHA, hoje tudo bem, mas amanhã vem como uma pessoa normal, por favor". Muito educado. Na saída passou numa loja por perto, comprou uma bermuda e voltou pra casa. Tomou um banho e colocou a saia no fundo do armário. Amanhã será um dia mais quente de calça.

6h o despertador tocou. mais cinco minutos... mais cinco minutos. Dez minutos depois o toque da soneca repetiu o alarde. Está mesmo na hora de acordar. Levanta, vai até a janela e vê o sol radiante! Tão bonito... Tão... Quente! Banho rápido, gelado, seca, volta pro quarto, abre o armário e ela está ali. A saia é mesmo a melhor a opção . Impossível usar a calça quando as 7h da manhã o termômetro de rua já marca mais que 30°, ultimamente a sensação térmica beira os 50° ao meio dia. Enfim, vai com ela. Toma o café e sai.

Na rua recebeu alguns olhares de umas meninas, talvez tenha sido o seu sorriso. No metrô lotado ninguém reparou em nada diferente. A não ser uma menininha fofa de uns cinco anos que olhou pra ele e comentou alguma coisa com a mãe, mas talvez fosse do tênis que era igual ao dela. Alguns olhares de estranhamento até chegar na faculdade, mas nada demais, nenhum comentário, não esperava tanta indiferença. Na faculdade, não, foi o centro das atenções, mas só depois de muito tempo até perceberem que estava de saia. Recebeu uns elogios, umas zoações grosseiras, uns incentivos pela "coragem"da iniciativa, mas em geral todos reconheceram que com esse calor só assim mesmo pra aguentar o dia todo na rua. Ao chegar ao trabalho foi barrado pelo porteiro/segurança com um ligeiro estranhamento, chamou o superior que o liberou, afinal o uniforme ou é calça ou é saia, e aquela era uma saia. Recebeu uns elogios, umas zoações grosseiras, uns incentivos pela "coragem"da iniciativa, mas em geral todos reconheceram que com esse calor só assim mesmo pra aguentar o dia todo na rua, e ainda disseram que todos iriam assim no dia seguinte. Voltou pra casa orgulhoso, no caminho ainda comprou uma outra saia na feirinha que tinha perto da sua rua. Chegou em casa, tomou um banho e separou a saia nova que usaria no dia seguinte. Estranhou por que nunca tinha feito isso antes, nem porque as outras pessoas não o fazem. Mas enfim. Amanhã será mais confortável assim.

Júlia, João e Pedro se fizeram a mesma pergunta no fim do dia: "Não seria muito melhor se todos usassem saia nesse calor?"...





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